Preparar Recomenda-se

Desenvolvimento linguístico e preparação para a leitura e a escrita

1. Promover o desenvolvimento linguístico e preparar para a leitura e a escrita

Para promover o desenvolvimento linguístico é necessário:

    a) prestar atenção ao comportamento e à comunicação da criança. Por exemplo, observar o que a criança está a fazer, para onde ela está a dirigir a atenção, o que está a dizer e como responde ao que lhe é dito. Uma observação atenta permite descobrir os interesses e conhecer a capacidade linguística da criança, para mais facilmente a promover.
    b) encorajar e incentivar a comunicação verbal. O incentivo é dado quando, por exemplo, se alcança e nomeia um objeto para onde a criança está a olhar ou a apontar, quando se repete, sorrindo, o nome de um objeto que a criança tentou dizer, ou quando se ajuda a criança a fazer um pedido ou a descrever um acontecimento.
    c) dar a oportunidade à criança para se expressar. Esperar é crucial. A criança tem de ter tempo para formular as suas ideias, escolher as palavras e falar.
    d) modelar/exemplificar, mostrando à criança, por exemplo, como se formula uma pergunta ou um pedido, se descreve o que se está a fazer ou se narra um acontecimento.
    e) expor a criança a bons modelos linguísticos, isto é, a uma linguagem rica, na qual são introduzidas palavras novas e se combinam as palavras de formas muito diversas. Para tal, o contacto com a linguagem escrita, através da leitura de histórias ou de outros tipos de textos – literários, como a poesia, ou não literários, como os textos informativos –, é particularmente útil dado que, na escrita, o vocabulário é por regra mais rico e a gramática mais diversificada e complexa.

Em síntese, falar-lhes, deixá-las falar e fazê-las falar, como exemplificado neste vídeo.


Center on the Developing Child at Harvard University (2020, July).
How to: 5 steps for brain building. http://developingchild.harvard.edu


A aquisição de conhecimentos e de habilidades úteis para a aprendizagem do código faz-se com atividades específicas que se dirigem para a relação entre o oral e a escrita e para a estrutura fonológica da fala. O que acontece quando se ensinam as letras e o que elas representam. Ou quando se fazem jogos e exercícios em que a criança tem de prestar atenção à fala ou manipular os seus segmentos fonológicos. Ou seja, tem de dizer palavras que rimam ou identificar as palavras que começam com o mesmo fonema.


2. Monitorizar o desenvolvimento linguístico

A identificação de condições que podem comprometer o desenvolvimento linguístico e a deteção precoce de atrasos ou dificuldades de linguagem é útil para intervir atempadamente e prevenir futuras dificuldades de aprendizagem.

A monitorização do desenvolvimento linguístico pode ser feita informal ou formalmente por diferentes profissionais: educador de infância, pediatra, terapeuta da fala, psicólogo, entre outros. 

Implica a observação direta da criança, a brincar e a interagir com outros (crianças ou cuidadores), e, sempre que se suspeita de um atraso de desenvolvimento, uma aturada recolha de informação e uma avaliação com testes estandardizados.

Suspeita-se de um atraso linguístico quando, comparativamente a outras crianças da mesma idade, a criança tem dificuldade em compreender o que lhe é dito e expressa-se com dificuldade: diz e entende poucas palavras ou o que diz é ininteligível.  

O contributo de diferentes profissionais e dos adultos que contactam com a criança é fundamental atendendo aos múltiplos fatores que podem condicionar o desenvolvimento da linguagem. Fatores como carências socioculturais, frequência pouco assídua da educação pré-escolar, experiências de literacia pobres ou inexistentes.

Em caso de suspeita de atraso, deve providenciar-se, de imediato, uma avaliação. Há já avaliações de rastreio e triagem que são usadas de forma alargada. Servem para averiguar se a criança tem efetivamente problemas de compreensão ou de produção da fala. Nesta etapa, é também importante fazer o despiste de outras condições que possam limitar a aquisição da linguagem, como, por exemplo, a existência de défices auditivos. 

A confirmar-se, no rastreio, um atraso linguístico, a avaliação tem de prosseguir para conhecer com precisão as dificuldades e definir o tipo de intervenção adequado às necessidades da criança. Habitualmente, a avaliação da linguagem é realizada por um terapeuta da fala ou por psicólogos com formação especializada

Como o ritmo e o padrão de desenvolvimento variam ao longo do tempo, a monitorização das competências linguísticas deve ser constante e regular, independentemente de se registar algum atraso ou alguma precocidade em determinada etapa do desenvolvimento.

Autoria: Isabel Leite          Edição: Andreia Lobo

Publicação: 22.setembro.2020

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