Aprender Recomenda-se

Fluência e compreensão da leitura

1. Promover o desenvolvimento da fluência de leitura  

O reconhecimento da importância da fluência de leitura para a compreensão dos textos deu lugar à elaboração de programas de intervenção e da avaliação da sua eficácia. Alguns dos quais acessíveis online. Apesar das diferenças, estes programas têm em comum a preocupação em atender e integrar em sequências didáticas as estratégias que a investigação tem mostrado serem eficazes. De entre elas, destacam-se:

    a) recurso a modelos fluentes na leitura: o aluno ouve ler em voz alta o texto que irá ser usado no treino da fluência de leitura. Esta leitura pode ser efetuada pelo respetivo professor e/ou pode recorrer-se a gravações áudio;

    b) leitura sombra e/ou leitura em eco: o aluno lê, em voz alta, o texto, em simultâneo com o modelo, ou lê o texto em voz alta após o modelo ler uma frase ou período do texto;

    c) leituras repetidas: o aluno é convidado a ler, várias vezes, o mesmo excerto, até conseguir ler, corretamente, por minuto, um número pré-definido de palavras; 

    d) leitura em coro: imediatamente após a audição de um excerto, lido em voz alta pelo modelo, todos os alunos do grupo/turma leem o mesmo excerto;

    e) leitura em pares: os alunos, com diferentes níveis de fluência, são organizados em pares ou pequenos grupos. Os alunos com mais dificuldades leem para os pares, que lhes dão apoio e/ou feedback;

    f) leitura de atuação: o aluno lê em voz alta o texto para o grupo/turma (ou, eventualmente para convidados). Em alternativa, pode efetuar-se a gravação da sua leitura simulando um locutor de rádio ou de TV. 

    g) feedback e monitorização: o feedback pode ser fornecido pelos pares ou pelo professor. É extremamente importante que o aluno conheça qual a sua evolução, quer no número de palavras lidas corretamente por minuto, quer em termos de expressividade. Como foi referido, a fluência de leitura exige prática, pelo que é importante que os alunos constatem que a prática resulta, que o esforço tem efeitos. Na expressividade é importante atender a aspetos como o volume, a entoação, a leitura por unidades de sentido, o ritmo e as pausas. As grelhas de avaliação da expressividade podem ser adaptadas de modo a que o aluno saiba exatamente o que se entende por leitura expressiva e quais os parâmetros que devem ser contemplados na mesma.

O treino da fluência de leitura exige alguns cuidados, nomeadamente na seleção dos textos a usar. É importante assegurar que o aluno conhece a maioria do vocabulário neles usado. Na dúvida, deve analisar-se o significado de palavras eventualmente desconhecidas. Os textos devem ser curtos, podendo incorporar uma sinalética que facilite uma leitura por unidades de sentido, como, por exemplo o uso de barras oblíquas (/). A sinalética deve ser explicada aos alunos. Também lhes deve ser explicada a importância de uma leitura por unidades de sentido para a compreensão da leitura. Trata-se de um aspeto particularmente importante numa fase inicial. É necessário assegurar que os alunos percebem a finalidade do treino da fluência de leitura: não é “ler depressa”, é ler para compreender. Por esta razão, o treino da fluência da leitura deve fazer-se em associação com atividades de compreensão da leitura. 


2. Monitorizar o desenvolvimento da fluência de leitura

A fluência na leitura de textos é avaliada recorrendo a tarefas em que o aluno é solicitado a ler, um ou vários textos, durante um determinado período de tempo. Os procedimentos mais habituais são:

    a) a leitura de três textos, durante um minuto cada. Os textos são geralmente expositivos e narrativos, com e sem diálogo;
    b) a leitura de um texto durante três minutos, sendo registadas as palavras corretamente lidas no final do 1.º, do 2.º e do 3.º minuto

Em ambos os procedimentos, se o aluno corrige de imediato a sua leitura de uma palavra não é considerado erro. A fluência de leitura é medida com base na média do número de palavras lidas corretamente por minuto. A expressividade ou prosódia é avaliada com base em grelhas que contemplam aspetos como volume de voz, entoação, pausas e leitura por unidades de sentido, podendo também incluir uma apreciação global (qualitativa). Os procedimentos são usados quer para a avaliação da fluência, quer para a sua monitorização.


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Autoria: Fernanda Leopoldina Viana e Iolanda Ribeiro          Edição de texto: Andreia Lobo          Edição gráfica: Vera Antunes

Publicação: 22.setembro.2020

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