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Desenvolvimento linguístico

Conhecimento morfológico e sintático

1. Promover o conhecimento morfológico e sintático

Quando se questiona o “como” promover o conhecimento da morfologia e da sintaxe da língua junto de crianças, é preciso não esquecer que muito deste conhecimento é adquirido de forma espontânea, através do contacto com a língua (oral e escrita). Assim sendo, no jardim de infância é importante proporcionar às crianças experiências que permitam orientar a sua atenção para os elementos constituintes das palavras.

Experiências de caráter lúdico, nas quais as crianças são convidadas a assumir o papel de “detetives” relativamente aos problemas colocados, ajudam-nas a orientar a sua atenção para os constituintes das palavras e para o seu papel nas frases. Facilitam ainda a posterior abordagem ao conhecimento explícito da língua. 

A leitura de histórias na creche e no jardim-de-infância proporciona às crianças o contacto com um nível de estruturação e de complexidade que não se encontra na comunicação oral, nos registos familiares. Contribui, assim, para a promoção do conhecimento lexical, morfológico e sintático.

Além disso, é uma via privilegiada para a aquisição de conhecimentos determinantes para a compreensão dos textos ouvidos.  Se as crianças em idade pré-escolar tiverem tido contacto com formas muito diversas de organização das palavras para produzir novas frases e com frases de complexidade crescente (como coordenadas e subordinadas, menos frequentes nas interações orais), vão enfrentar de forma menos custosa os desafios colocados pela crescente complexidade dos textos com que serão confrontadas ao longo da escolaridade. 

Os exemplos que se seguem ilustram esta potencialidade.

    a) A partir da leitura da história O Nabo Gigante, após a leitura do excerto “Há muito, muito tempo, havia um velhinho e uma velhinha que viviam juntos numa casinha velha e torta (…)”, perguntar: Porque será que o autor desta história não escreveu “[…] havia um velho e uma velha que viviam juntos numa casa velha e torta”?   

    b) A partir da leitura da história Chibos Sabichões, propor que as crianças completem frases. O chibo pequeno é sabichão. O chibo grande e o chibo pequeno são?… (sabichões).

    c) Depois de ler a história A Galinha dos Ovos de Ouro, o educador pode usar um fantoche que diz frases incorretas que as crianças terão de corrigir. Exemplo: “O camponês escondeu os ovo numa armário."

    d) A partir da leitura da história O Macaco de Rabo Cortado, na qual surgem personagens com diferentes profissões, propor o completamento de frases com a nomeação da respetiva profissão. Exemplo:  Um homem que arranja sapatos é um… sapateiro; um homem que arranja jardins é um… jardineiro; uma mulher que faz pão é uma… padeira; um homem que pesca é um… pescador; uma mulher que canta é uma… cantora. 

    e) Aproveitando uma palavra que tenha sido produzida (oralmente ou em contexto de leitura), como, por exemplo, “despenteada”, propor o seguinte: Uma menina despenteada é uma menina que não está penteada. O que é uma cadeira DESconfortável?  E um cão DEScuidado? E uma coisa DESnecessária? Atividade idêntica pode ser efetuada utilizando os prefixos re- ou in-. 


2. Monitorizar o conhecimento morfológico e sintático

A monitorização do conhecimento morfológico e sintático pode ser efetuada através do uso de provas estandardizadas, como acontece com o conhecimento lexical. Algumas provas de avaliação da linguagem incluem itens ou subescalas visando a avaliação do conhecimento morfológico e sintático. Geralmente, a nível implícito, solicitando, por exemplo, julgamentos sobre a gramaticalidade de frases. 

No entanto, este pode ser monitorizado através da elaboração de registos decorrentes das interações e das atividades efetuadas. Os erros que as crianças produzem no seu discurso espontâneo são bons indicadores de desenvolvimento, pelo que ouvi-las – o que dizem e como dizem – é uma das vias mais eficazes para um educador de infância compreender o modo como está a ocorrer o desenvolvimento da linguagem.

Autoria: Fernanda Leopoldina Viana  e Iolanda Ribeiro        Edição: Andreia Lobo

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