Aprender Recomenda-se

Aprendizagem da leitura e da escrita

As características dos processos de decodificação e codificação numa fase inicial da aprendizagem

1. Promover os processos de decodificação e codificação numa fase inicial da aprendizagem

O exercício é fundamental. Só através dele é possível estabelecer as ligações entre fala e escrita, e mais especificamente entre fonemas e grafemas. De acordo com um princípio básico da aprendizagem, começa-se pelo mais simples, em que a criança possa ter sucesso, e avança-se para o mais complexo. Isto permite utilizar a própria experiência de sucesso da criança como alicerce para o seu progresso posterior. Dotada da nova capacidade de decifrar o texto escrito, ou partes dele, a criança é naturalmente impelida a usá-la em novos contextos e a desafiar-se a si própria:  autoensino. A escolha criteriosa de conjuntos de palavras consistentes, tanto para os exercícios de leitura como para os de escrita, é um aspeto fundamental para a consolidação do conhecimento das correspondências aprendidas. Essa selecção de palavras pode ser feita facilmente recorrendo a bases de dados lexicais como, por exemplo, o PORLEX. 

O autoensino é um aspeto do processo de aprendizagem da leitura e da escrita que era negligenciado até que o psicólogo David Share veio justamente chamar a atenção para ele. Explorar a perícia incipiente de transformar palavras escritas em fala, e de perceber o que está escrito, ou de arriscar a escrever mensagens para a mãe ou o pai, é uma poderosa alavanca para a aprendizagem. Ao mesmo tempo é uma importante fonte de motivação. 

Para propiciar este desenvolvimento, são úteis exercícios que tenham em vista:

    a) conhecer bem as letras do alfabeto, tanto na direção da leitura como na direção da escrita, começando pelas que têm correspondências simples com os fonemas;
    b) treinar a leitura e a escrita de palavras com correspondências grafema-fonema simples;
    c) treinar a escrita de letras e de pequenas palavras em associação com atividades de segmentação;
    d) aos poucos, facultar a experiência de leitura em voz alta de frases com a prosódia adequada e com ligação à compreensão de sentidos mais complexos do que apenas os das simples palavras. Para tal, o recurso a imagens ricas e sugestivas pode ser um bom coadjuvante para incentivar a procura de sentidos em associação com a escrita, e estimular a fantasia em associação com o uso sofisticado da linguagem.


2. Monitorizar os processos de decodificação e codificação numa fase inicial da aprendizagem

Monitorizar o progresso das fases iniciais da aprendizagem é útil para o professor gerir o processo de ensino e aprendizagem. Mas pode também ser importante para o aluno, pois permite dar-lhe a conhecer o seu próprio progresso numa aprendizagem que não é imediata e exige esforço continuado. Por outras palavras, para o aluno, monitorizar o processo de aprendizagem pode ter uma função crítica de motivar o envolvimento com a linguagem escrita.

Um modo intuitivo e bem direto de fazer esta monitorização é o de gravar a leitura de determinado texto a intervalos sucessivos. Desta forma, pode-se documentar o progresso entre as leituras incipientes – provavelmente lentas, esforçadas e até com erros – e as leituras mais avançadas.

Por exemplo, gravar a leitura de uma frase à escolha da criança no tempo um, depois no tempo dois, ou mais, conforme possível ou adequado, de modo a documentar o progresso – mesmo que pequeno – entre leituras sucessivas. Quanto à exequibilidade, pode não ser complicado fazer pequenas gravações em telemóvel; se impossível com todas as crianças, pode ser feito apenas com algumas, aquelas para as quais pareça ser mais relevante dar este feedback, seja por questão de motivação, seja por questão de dificuldade de aprendizagem.

 De uma maneira ou de outra, o fundamental é encontrar uma forma de materializar o progresso na leitura que permita também à criança ir tomando consciência dos seus próprios avanços.

Autoria: São Luís Castro          Edição: Andreia Lobo 

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